Caro(a) leitor(a), você conhece alguém que vive das opiniões dos outros? Alguém que, se não é boa pessoa, cuida de parecer que é? Ih, que coincidência: eu também. Todo mundo, eu diria.
E é justamente disso que trata a obra Papéis Avulsos, do escritor Machado de Assis, que faleceu há exatos 100 anos. Mesmo tendo tratado desse assunto há tanto tempo, Machado de Assis continua atualíssimo -- justamente por ser atemporal. E eu estou ajudando a resgatar a última vontade materializada por Machado ao escrever os Papéis, lá em 1882. Explica-se:
Assim que uma obra é editada e publicada pela primeira vez, ela quase certamente sofrerá alterações ao longo das edições subseqüentes, seja para corrigir erros da primeira edição, seja por "altruísmo" ou "benevolência" dos editores que se deparam com a obra, seja por censura -- ou por revogação desta. Após não sei quantas edições, o texto terá sofrido alterações (muitas vezes descuidadas) que o distanciam do autor. E é aí que entra a chamada Crítica Textual: a ciência que cuida de realizar as devidas pesquisas históricas, biográficas e literárias, com o fim de restabelecer o texto original, e ao mesmo tempo aproximando-o do leitor contemporâneo através de notas explicativas, comentários, introduções e atualizações ortográficas.
O fruto do trabalho da Crítica Textual é a edição crítica, que contém o texto o mais fidedigno possível -- isto é, o mais fiel possível ao texto que o autor gostaria que o leitor lesse (totalmente fiel é virtualmente impossível), acrescido de introdução, notas explicativas, atualizações, dentre outras alterações a fim de romper o ruído do tempo entre o autor e o leitor.
Então, esperem e verão o texto crítico de Papéis Avulsos ser divulgado em breve!
Friday, November 28, 2008
Thursday, October 23, 2008
Polonaise
Concordando com (e indo além de) Belchior, eu sou apenas um rapaz latinoamericano, sem dinheiro no banco nem parentes importantes, desempregado, vivendo de freelances e estudando numa universidade pública. Mas sou um rapaz que não sofreu tanto quanto outros por aí, graças à minha querida mãe. Nunca lutei de verdade por mim mesmo: não precisa, meu filho, eu te ajudo.
Mas isso vai mudar radicalmente no ano que vem. Passei o primeiro semestre deste ano morando sozinho em outra cidade, beeeem longe da minha. E lá percebi que a vida não se restringe à minha família e amigos do Brasil; quando a graduação terminar e o diploma estiver na mão, o mundo será o limite. E não há crise financeira que me impeça de voar novamente. (O título da postagem já dá dicas.)
-------------------------------------
Polonaise
Agreeing with (and going beyond) the Brazilian singer Belchior, I am just a Latin American guy, without money in the bank nor important relatives, unemployed, living on freelances and studying in a public university. But I'm a guy that hasn't suffered as much as others out there, thanks to my dear mother. I've never really fought for myself: it's not necessary, my son, I'll help you out.
But this is going to change radically next year. I spent the first semester living by myself in another city, faaaaar away from mine. And there I could see that life is not restricted to my family and friends from Brazil; as long as I finish my undergrad studies and grab hold of my diploma, the world is the limit. And no finantial crisis will keep me from flying away again. (The title of this post gives a tip.)
Mas isso vai mudar radicalmente no ano que vem. Passei o primeiro semestre deste ano morando sozinho em outra cidade, beeeem longe da minha. E lá percebi que a vida não se restringe à minha família e amigos do Brasil; quando a graduação terminar e o diploma estiver na mão, o mundo será o limite. E não há crise financeira que me impeça de voar novamente. (O título da postagem já dá dicas.)
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Polonaise
Agreeing with (and going beyond) the Brazilian singer Belchior, I am just a Latin American guy, without money in the bank nor important relatives, unemployed, living on freelances and studying in a public university. But I'm a guy that hasn't suffered as much as others out there, thanks to my dear mother. I've never really fought for myself: it's not necessary, my son, I'll help you out.
But this is going to change radically next year. I spent the first semester living by myself in another city, faaaaar away from mine. And there I could see that life is not restricted to my family and friends from Brazil; as long as I finish my undergrad studies and grab hold of my diploma, the world is the limit. And no finantial crisis will keep me from flying away again. (The title of this post gives a tip.)
Sunday, August 10, 2008
De volta à realidade -- Back to reality
Muito bem, agora que já voltei ao Brasil e tenho que estudar de verdade (e principalmente trabalhar de verdade), tenho que reativar tudo que tinha "deixado pra trás" aqui no Rio, incluindo este blog. Mas por agora tenho que fazer outras coisas e acordarei cedo amanhã, portanto a poeira fica debaixo do tapete até segunda ordem.
Anyway: Voando por sobre o romantismo, li numa dessas pesquisas "Estou com sorte" do Google:
"O beijo é um segredo que se diz na boca, não no ouvido." (JEAN ROSTAND)
"Quem ama não define o amor. É impossivel. É tão impossivel quanto definir a fé..." (http://opartirdovidro.blogspot.com/)
Até breve! (se possível, semana que vem)
-----------------------------------------------
Very well, now that I'm back to Brazil and I've got to study hard (and above all work hard), I've got to reactivate everything that I had "left behind" here in Rio, including this blog. For now, however, there are other things still waiting to be done and I gotta wake up early tomorrow, so the dust shall remain beneath the carpet until further notice.
Anyway: Flying by the romanticism, I've read in one of those "I'm feeling lucky" web searches:
"The kiss is a secret told to one's mouth, not to one's ear." (JEAN ROSTAND)
"He who loves cannot define love. That's impossible. As impossible as to define faith..." (http://opartirdovidro.blogspot.com)
See you soon! (if possible, next week)
Anyway: Voando por sobre o romantismo, li numa dessas pesquisas "Estou com sorte" do Google:
"O beijo é um segredo que se diz na boca, não no ouvido." (JEAN ROSTAND)
"Quem ama não define o amor. É impossivel. É tão impossivel quanto definir a fé..." (http://opartirdovidro.blogspot.com/)
Até breve! (se possível, semana que vem)
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Very well, now that I'm back to Brazil and I've got to study hard (and above all work hard), I've got to reactivate everything that I had "left behind" here in Rio, including this blog. For now, however, there are other things still waiting to be done and I gotta wake up early tomorrow, so the dust shall remain beneath the carpet until further notice.
Anyway: Flying by the romanticism, I've read in one of those "I'm feeling lucky" web searches:
"The kiss is a secret told to one's mouth, not to one's ear." (JEAN ROSTAND)
"He who loves cannot define love. That's impossible. As impossible as to define faith..." (http://opartirdovidro.blogspot.com)
See you soon! (if possible, next week)
Monday, March 03, 2008
Tradução de uma música - A song translation
Uma bela música do cantor Beto Guedes. Boa para refletir sobre a vida. Ou para meditar, se preferir.
A very beautiful song by the Brazilian singer Beto Guedes. Good to reflect upon life. Or to meditate, if you prefer.
--> SOL DE PRIMAVERA - SPRING SUNSHINE
Beto Guedes
Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar
Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender...
Translation into English:
When September begins and the good news spread through the fields
I wanna see forgiveness sprouting again from where we once planted it
We've dreamed together, sowing the songs in the winds
I wanna see our voice raising in what lacks to be dreamed of
We've already cried so much, many have lost themselves throughout the way
Even so it's worth making up a new song which can bring us
Spring sunshine, open the windows of my chest
We know the lesson by heart
We've only got to learn it...
A very beautiful song by the Brazilian singer Beto Guedes. Good to reflect upon life. Or to meditate, if you prefer.
--> SOL DE PRIMAVERA - SPRING SUNSHINE
Beto Guedes
Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar
Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender...
Translation into English:
When September begins and the good news spread through the fields
I wanna see forgiveness sprouting again from where we once planted it
We've dreamed together, sowing the songs in the winds
I wanna see our voice raising in what lacks to be dreamed of
We've already cried so much, many have lost themselves throughout the way
Even so it's worth making up a new song which can bring us
Spring sunshine, open the windows of my chest
We know the lesson by heart
We've only got to learn it...
Tuesday, February 12, 2008
Um novo começo -- A new beginning
(NB: De agora em diante, texto em português, depois a tradução pro inglês! -- From now on, text in Portuguese, then the translation into English!)
Esta é uma nova fase para este blog. Na verdade essa nova fase já estava planejada há algum tempo, mas por motivos de vária ordem, não coloquei os planos em prática antes. Mas aqui estou novamente, e dessa vez pra ficar. Pelo menos, assim espero.
Já que estou em Londres neste momento, vou aproveitar o ensejo e falar um pouco sobre o Valentine's Day (Dia de São Valentim, em bom português). Pra mim, não vai ser Valentines coisa nenhuma, até porque ainda não arranjei ninguém que o valha para esta data tão especial. Vai ser Ballantines' Day mesmo, em apologia à marca de uísque. :-/
Me sinto sozinho como sempre, e agora um pouco mais desolado, pois agora tenho que me virar para tudo, inclusive fazer minha pro'pria comida pra não depender de Pot Noodles. Mas isso está me dando uma sensação de êxito que nunca percebi antes. Taí uma boa coisa pra me aquecer um pouco.
Bom, deixa eu ir lá que ainda tenho que estudar pra cacete. É um bom meio de esquecer que estou sozinho.
- = - = - = - = - = - = - = - = - = -
This is a new phase for this blog. Actually, this new phase had been ready for quite a while; for several reasons, however, I didn't put my plans into practice before. But here I am once more, and now I'm here to stay. At least, I hope so.
Because I'm in London now, I'll take the oportunity and talk a little bit about the Valentine's Day ("Dia de São Valentim", in good Portuguese). For me, it won't be Valentines at all, just because I haven't found someone worth it for this ever-special Feb14th. Well, it's going to be Ballantines really... let's pay homage to the whiskey brand. :-/
I'm feeling lonely as always, and now a bit more desolated, because now I've got to take action for absolutely everything, including cook my own food so as not to depend on Pot Noodles. But this situation is giving me a great deal of sense of achievement, which I've never experienced before. That's a good thing to warm me up.
Well, I shall get going because I still have lots to study. Good excuse to forget that I'm still all alone.
Esta é uma nova fase para este blog. Na verdade essa nova fase já estava planejada há algum tempo, mas por motivos de vária ordem, não coloquei os planos em prática antes. Mas aqui estou novamente, e dessa vez pra ficar. Pelo menos, assim espero.
Já que estou em Londres neste momento, vou aproveitar o ensejo e falar um pouco sobre o Valentine's Day (Dia de São Valentim, em bom português). Pra mim, não vai ser Valentines coisa nenhuma, até porque ainda não arranjei ninguém que o valha para esta data tão especial. Vai ser Ballantines' Day mesmo, em apologia à marca de uísque. :-/
Me sinto sozinho como sempre, e agora um pouco mais desolado, pois agora tenho que me virar para tudo, inclusive fazer minha pro'pria comida pra não depender de Pot Noodles. Mas isso está me dando uma sensação de êxito que nunca percebi antes. Taí uma boa coisa pra me aquecer um pouco.
Bom, deixa eu ir lá que ainda tenho que estudar pra cacete. É um bom meio de esquecer que estou sozinho.
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This is a new phase for this blog. Actually, this new phase had been ready for quite a while; for several reasons, however, I didn't put my plans into practice before. But here I am once more, and now I'm here to stay. At least, I hope so.
Because I'm in London now, I'll take the oportunity and talk a little bit about the Valentine's Day ("Dia de São Valentim", in good Portuguese). For me, it won't be Valentines at all, just because I haven't found someone worth it for this ever-special Feb14th. Well, it's going to be Ballantines really... let's pay homage to the whiskey brand. :-/
I'm feeling lonely as always, and now a bit more desolated, because now I've got to take action for absolutely everything, including cook my own food so as not to depend on Pot Noodles. But this situation is giving me a great deal of sense of achievement, which I've never experienced before. That's a good thing to warm me up.
Well, I shall get going because I still have lots to study. Good excuse to forget that I'm still all alone.
Saturday, December 01, 2007
HISTÓRIA INTRODUTÓRIA + CARTA À TAL CAMILA
**ATENÇÃO LEITORES: Esta postagem é de um outro blog que eu tinha. Foi publicada em janeiro de 2005; mas como o outro blog foi desativado, estou republicando em homenagem à querida professora Regina Santelli citada no primeiro parágrafo. :-)
>>>
Tudo começou quando eu passei no vestibular pra Engenharia Química, em 2002. Já no 1º semestre, estava mal em todas as matérias. Mas a professora de Química Geral III, Regina Santelli (nunca mais esqueço esse nome), sempre muito atenciosa com seus alunos, não se absteve diante de meu desempenho ruim. Chamou-me para conversar e percebeu que eu estava desmotivado e bastante desorientado, sem saber o que realmente queria cursar na faculdade. “Tia” Regina, então, me indicou a Terapia de Orientação Vocacional, oferecida pelo Serviço de Psicologia Aplicada da UFF, no Gragoatá.
Dito e feito. Fui lá, me inscrevi e estava eu presente à primeira sessão, em abril de 2003. Era uma terapia de grupo: 10 adolescentes, mais a psicóloga, sentados em roda. Naturalmente, todos numa situação dessas fariam um trabalho de “reconhecimento de rostos” para ver se há alguém conhecido. Eu, ao passear com os olhos, me deparo com uma certa menina e constato: “Caramba, essa daí já estudou comigo na Cultura Inglesa...”. Mas, como ela não se manifestou, fiquei na minha.
Segundo encontro, e nada daquele pensamento se afastar. Resolvi averiguar e, após a sessão, procurei-a e começamos a conversar; primeiro sobre cursos e profissões, depois sobre assuntos mais “pessoais”. Descobri que ela morava no Flamengo, e que nunca fizera nada de importante em Niterói – quanto mais freqüentar um curso regular, conforme minha suposição. A terapia foi se desenrolando, as sessões acontecendo, e sempre ao final delas nós íamos andando juntos, desde o bloco de Psicologia até as barcas, conversando bastante. Fomos ficando mais próximos, pouco a pouco. Era perceptível o brilho em seus olhos, o interesse em me ouvir falar e fazer-lhe perguntas, o jeito de me olhar, o sorriso tímido porém sincero. A conversa fluía com notável viscosidade. Até os dias chuvosos eram mais bonitos. (Quer dizer, não sei se eu de repente estava “cego de paixão” e por isso mesmo supervalorizando o que via e sentia; preciso refletir mais.)
“Mas eis que chega a roda viva / E carrega o destino pra lá...”. As sessões acabaram, e eu não tinha mais como me encontrar com Camila toda semana. Assim, voltei lá no Gragoatá e pedi à terapeuta os telefones de todos os participantes da Terapia, numa tentativa de disfarçar o meu interesse por uma pessoa em especial. (Será que o “truque” funcionou??)
Pois bem: liguei para a casa dela. No início tentei disfarçar, perguntando se ela já escolhera qual curso fazer na faculdade, comentando sobre o mercado de trabalho etc. Ela, porém, logo percebeu o verdadeiro motivo para eu estar telefonando, e passou a jogar mais na defesa. Como sou um péssimo argumentador, pra ela me quebrar no discurso foi um pulo. Liguei outras vezes, mas a situação foi ficando insustentável. Entretanto, algo me dizia que eu deveria continuar tentando.
Até que, um belo dia, chamou, chamou, chamou e ninguém atendeu. Pensei: ela saiu. Passei a ligar em dias diferentes, nos horários mais variados, de telefones diferentes. “Ih, então deve ter viajado” – cogitei, após numerosas tentativas sem sucesso. Continuei ligando pra lá regularmente, de duas a três vezes por semana (!!), na esperança de ela “voltar de viagem” ("como é bobinho, esse menino!”, diria aquele personagem d’A Praça É Nossa).
Mais ou menos um mês depois, no dia 30 de setembro de 2003, ela resolveu me atender. Sem mais delongas, ela disse algo assim: “Sei lá, a gente não tem nada a ver... Pô, num liga mais pra cá não!”. Ainda tentei contornar a situação, mas já era tarde demais.
E olha que levou tempo para eu perceber que a paixão evoluíra para uma perigosa obsessão: cheguei ao cúmulo de pedir a um técnico da Telemar para conseguir o endereço dela. Em vão: não tive coragem de tocar o interfone, quanto mais de dirigir-lhe a palavra...
Todas as trocas de olhares, toda a conversa fluida e interessante, todos os sorrisos sinceros – tudo desperdiçado. :-(
Em abril de 2004, já cursando Letras, decidi dar as caras novamente, para pelo menos resolver a questão de maneira decente. Apelei para minha especialidade – a escrita, modéstia à parte :-) – e enviei uma carta à tal residência no Flamengo; tentei ser o menos romântico e meloso que pude. Segue o conteúdo da mensagem, na íntegra:
Camila,
Em primeiro lugar, você deve estar surpresa -- talvez até assustada -- em receber esta carta. Pode ser que você ainda esteja com alguma raiva de mim, mesmo tendo eu parado de ligar insistentemente para sua casa há uns oito meses atrás.
Aquilo foi vergonhoso. Absolutamente vergonhoso. Assumo que perdi a noção naquele momento, e venho por meio desta também pedir desculpas pelo incômodo. Até tentei te ligar novamente há algumas semanas atrás; mas logo lembrei do seu pedido de não telefonar mais pra sua casa... Achei por bem respeitá-lo, e arranjei um outro meio de comunicação.
--------------------
Lembra-se que, ano passado, eu cursava Engenharia Química, mas que após as sessões de Orientação Vocacional, decidi fazer Letras? Pois bem. Me inscrevi para Letras - Port./Inglês no vestibular UFF-2004 e consegui passar. E hoje posso afirmar: estou plenamente satisfeito com o curso. Aqui é o meu lugar. Só para se ter uma idéia: estou gostando tanto das Letras, que o meu modo de pensar, minhas atitudes e meu cotidiano mudaram profundamente. Perdi a vontade de sair para as "noitadas" de sexta e sábado, estou me alimentando melhor, bebendo mais água, dormindo mais, dentre outras coisas. Me sinto impelido a estar sempre com mente sã e corpo são, para poder aproveitar o máximo das aulas e fazer boas provas.
Mas acho que isso tudo acabou me tornando uma pessoa meio distante do mundo, sei lá... se antes eu me apegava muito a quem eu admirava, e admiro -- e você é uma dessas pessoas --, hoje trato todo mundo normalmente, igual a qualquer amigo mais próximo. Ou seja, se a impressão que você teve de mim foi a de um cara chato e grudento, pode esquecer.
Por falar em esquecer, não esqueci de você durante todo esse tempo; mas diferente do que possa parecer, não foram aqueles devaneios próprios do ultra-romantismo, em que o poeta mergulha em angústia e depressão por não ter a amada ao seu lado (se fosse assim, a essa altura eu já tava internado).
Você aparece casualmente nas lembranças corriqueiras, como lembrar do aniversário de alguém, ou lembrar que semana que vem tem prova. Sem falar na hora de dormir, porque geralmente eu sonho com elementos do cotidiano.
Estou, portanto, mandando esta carta apenas para dar um desfecho digno a toda esta história. Pode ser um ponto-final, um porém, um ponto-parágrafo. O que não pode continuar é essa vírgula gigante, que tá aí atolada desde o ano passado. Gostaria que você respondesse a esta carta.
Abraços,
César
O fato é que ela não me respondeu. Aliás, realmente eu já não tinha muitas esperanças disso. Se não quis responder, ou se esqueceu, ou se nem recebeu a carta, aí já é fora do meu alcance.
**CONCLUSÃO: Nunca mais faço isso novamente, isso de mergulhar de cabeça numa paixão, sem nem prender a respiração, dizendo foda-se a tudo. E não é porque fica chato, ou porque incomoda os outros, ou porque eu pago mico. Nada disso: simplesmente não consigo mais. Sei lá, parece que meu coração envelheceu e não agüenta mais tantas pancadas como antes. Hoje, antes de mergulhar, eu devidamente verifico a direção do vento, visto a roupa de mergulhador, coloco óculos, respirador, tanque de oxigênio, alongo minhas articulações e de quebra molho o dedão do pé para ver se a água está muito fria.
Ainda que seja só uma piscina infantil.
>>>
Tudo começou quando eu passei no vestibular pra Engenharia Química, em 2002. Já no 1º semestre, estava mal em todas as matérias. Mas a professora de Química Geral III, Regina Santelli (nunca mais esqueço esse nome), sempre muito atenciosa com seus alunos, não se absteve diante de meu desempenho ruim. Chamou-me para conversar e percebeu que eu estava desmotivado e bastante desorientado, sem saber o que realmente queria cursar na faculdade. “Tia” Regina, então, me indicou a Terapia de Orientação Vocacional, oferecida pelo Serviço de Psicologia Aplicada da UFF, no Gragoatá.
Dito e feito. Fui lá, me inscrevi e estava eu presente à primeira sessão, em abril de 2003. Era uma terapia de grupo: 10 adolescentes, mais a psicóloga, sentados em roda. Naturalmente, todos numa situação dessas fariam um trabalho de “reconhecimento de rostos” para ver se há alguém conhecido. Eu, ao passear com os olhos, me deparo com uma certa menina e constato: “Caramba, essa daí já estudou comigo na Cultura Inglesa...”. Mas, como ela não se manifestou, fiquei na minha.
Segundo encontro, e nada daquele pensamento se afastar. Resolvi averiguar e, após a sessão, procurei-a e começamos a conversar; primeiro sobre cursos e profissões, depois sobre assuntos mais “pessoais”. Descobri que ela morava no Flamengo, e que nunca fizera nada de importante em Niterói – quanto mais freqüentar um curso regular, conforme minha suposição. A terapia foi se desenrolando, as sessões acontecendo, e sempre ao final delas nós íamos andando juntos, desde o bloco de Psicologia até as barcas, conversando bastante. Fomos ficando mais próximos, pouco a pouco. Era perceptível o brilho em seus olhos, o interesse em me ouvir falar e fazer-lhe perguntas, o jeito de me olhar, o sorriso tímido porém sincero. A conversa fluía com notável viscosidade. Até os dias chuvosos eram mais bonitos. (Quer dizer, não sei se eu de repente estava “cego de paixão” e por isso mesmo supervalorizando o que via e sentia; preciso refletir mais.)
“Mas eis que chega a roda viva / E carrega o destino pra lá...”. As sessões acabaram, e eu não tinha mais como me encontrar com Camila toda semana. Assim, voltei lá no Gragoatá e pedi à terapeuta os telefones de todos os participantes da Terapia, numa tentativa de disfarçar o meu interesse por uma pessoa em especial. (Será que o “truque” funcionou??)
Pois bem: liguei para a casa dela. No início tentei disfarçar, perguntando se ela já escolhera qual curso fazer na faculdade, comentando sobre o mercado de trabalho etc. Ela, porém, logo percebeu o verdadeiro motivo para eu estar telefonando, e passou a jogar mais na defesa. Como sou um péssimo argumentador, pra ela me quebrar no discurso foi um pulo. Liguei outras vezes, mas a situação foi ficando insustentável. Entretanto, algo me dizia que eu deveria continuar tentando.
Até que, um belo dia, chamou, chamou, chamou e ninguém atendeu. Pensei: ela saiu. Passei a ligar em dias diferentes, nos horários mais variados, de telefones diferentes. “Ih, então deve ter viajado” – cogitei, após numerosas tentativas sem sucesso. Continuei ligando pra lá regularmente, de duas a três vezes por semana (!!), na esperança de ela “voltar de viagem” ("como é bobinho, esse menino!”, diria aquele personagem d’A Praça É Nossa).
Mais ou menos um mês depois, no dia 30 de setembro de 2003, ela resolveu me atender. Sem mais delongas, ela disse algo assim: “Sei lá, a gente não tem nada a ver... Pô, num liga mais pra cá não!”. Ainda tentei contornar a situação, mas já era tarde demais.
E olha que levou tempo para eu perceber que a paixão evoluíra para uma perigosa obsessão: cheguei ao cúmulo de pedir a um técnico da Telemar para conseguir o endereço dela. Em vão: não tive coragem de tocar o interfone, quanto mais de dirigir-lhe a palavra...
Todas as trocas de olhares, toda a conversa fluida e interessante, todos os sorrisos sinceros – tudo desperdiçado. :-(
Em abril de 2004, já cursando Letras, decidi dar as caras novamente, para pelo menos resolver a questão de maneira decente. Apelei para minha especialidade – a escrita, modéstia à parte :-) – e enviei uma carta à tal residência no Flamengo; tentei ser o menos romântico e meloso que pude. Segue o conteúdo da mensagem, na íntegra:
Camila,
Em primeiro lugar, você deve estar surpresa -- talvez até assustada -- em receber esta carta. Pode ser que você ainda esteja com alguma raiva de mim, mesmo tendo eu parado de ligar insistentemente para sua casa há uns oito meses atrás.
Aquilo foi vergonhoso. Absolutamente vergonhoso. Assumo que perdi a noção naquele momento, e venho por meio desta também pedir desculpas pelo incômodo. Até tentei te ligar novamente há algumas semanas atrás; mas logo lembrei do seu pedido de não telefonar mais pra sua casa... Achei por bem respeitá-lo, e arranjei um outro meio de comunicação.
--------------------
Lembra-se que, ano passado, eu cursava Engenharia Química, mas que após as sessões de Orientação Vocacional, decidi fazer Letras? Pois bem. Me inscrevi para Letras - Port./Inglês no vestibular UFF-2004 e consegui passar. E hoje posso afirmar: estou plenamente satisfeito com o curso. Aqui é o meu lugar. Só para se ter uma idéia: estou gostando tanto das Letras, que o meu modo de pensar, minhas atitudes e meu cotidiano mudaram profundamente. Perdi a vontade de sair para as "noitadas" de sexta e sábado, estou me alimentando melhor, bebendo mais água, dormindo mais, dentre outras coisas. Me sinto impelido a estar sempre com mente sã e corpo são, para poder aproveitar o máximo das aulas e fazer boas provas.
Mas acho que isso tudo acabou me tornando uma pessoa meio distante do mundo, sei lá... se antes eu me apegava muito a quem eu admirava, e admiro -- e você é uma dessas pessoas --, hoje trato todo mundo normalmente, igual a qualquer amigo mais próximo. Ou seja, se a impressão que você teve de mim foi a de um cara chato e grudento, pode esquecer.
Por falar em esquecer, não esqueci de você durante todo esse tempo; mas diferente do que possa parecer, não foram aqueles devaneios próprios do ultra-romantismo, em que o poeta mergulha em angústia e depressão por não ter a amada ao seu lado (se fosse assim, a essa altura eu já tava internado).
Você aparece casualmente nas lembranças corriqueiras, como lembrar do aniversário de alguém, ou lembrar que semana que vem tem prova. Sem falar na hora de dormir, porque geralmente eu sonho com elementos do cotidiano.
Estou, portanto, mandando esta carta apenas para dar um desfecho digno a toda esta história. Pode ser um ponto-final, um porém, um ponto-parágrafo. O que não pode continuar é essa vírgula gigante, que tá aí atolada desde o ano passado. Gostaria que você respondesse a esta carta.
Abraços,
César
O fato é que ela não me respondeu. Aliás, realmente eu já não tinha muitas esperanças disso. Se não quis responder, ou se esqueceu, ou se nem recebeu a carta, aí já é fora do meu alcance.
**CONCLUSÃO: Nunca mais faço isso novamente, isso de mergulhar de cabeça numa paixão, sem nem prender a respiração, dizendo foda-se a tudo. E não é porque fica chato, ou porque incomoda os outros, ou porque eu pago mico. Nada disso: simplesmente não consigo mais. Sei lá, parece que meu coração envelheceu e não agüenta mais tantas pancadas como antes. Hoje, antes de mergulhar, eu devidamente verifico a direção do vento, visto a roupa de mergulhador, coloco óculos, respirador, tanque de oxigênio, alongo minhas articulações e de quebra molho o dedão do pé para ver se a água está muito fria.
Ainda que seja só uma piscina infantil.
Saturday, July 28, 2007
The sky's the limit
Issoaê, o Céu é o limite. E tem mais: Ninguém é de Ninguém.
Depois que eu saí da instituição que me acolheu como aluno, estagiário e professor por mais de 13 anos, só penso nisso: o mundo é o limite das possibilidades.
Mais pro futuro, quero trabalhar com meio ambiente, mas principalmente quero fazer diferença neste mundo. Quero ir ao trabalho de bicicleta e não ser tachado de "ambientalistazinho metido a saudável". Quero simplesmente ser reconhecido pelos pensamentos que me brotam a todo instante. E viver disso, se possível.
Up, up and above. Aqui vou eu.
Depois que eu saí da instituição que me acolheu como aluno, estagiário e professor por mais de 13 anos, só penso nisso: o mundo é o limite das possibilidades.
Mais pro futuro, quero trabalhar com meio ambiente, mas principalmente quero fazer diferença neste mundo. Quero ir ao trabalho de bicicleta e não ser tachado de "ambientalistazinho metido a saudável". Quero simplesmente ser reconhecido pelos pensamentos que me brotam a todo instante. E viver disso, se possível.
Up, up and above. Aqui vou eu.
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